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Familiares de líder de facção morto em Pedrão organizam excursão para procurar crianças

Publicada em 02/05/2017 ás 08:24:14

 

Familiares de Robson Luís Gomes Lima, 32 anos, conhecido como Robin -um dos líderes da facção Katiara encontrado morto no último domingo no município de pedrão -, vão organizar uma excursão nesta terça-feira (2) para buscar duas meninas, de 1 e 5 anos, que estariam com a vítima no momento do crime e ainda estão desaparecidas. Danilo Luiz Araújo Souza, 24 anos, que dirigia o veículo onde as vítimas estavam, e a esposa de Robin, Juliana Conceição do Nascimento, 23, também foram assassinados.

As duas meninas são filhas do casal Robin e Juliana, que, segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), também teria envolvimento com a facção, assim como Danilo. De acordo com a SSP, Robin tinha um cargo relevante dentro da organização criminosa e era o responsável por fazer contato entre os principais líderes do bando. Robin era foragido da polícia e tinha dois mandados de prisão por tráfico em aberto, segundo consta no Bando Nacional de Mandados de Prisão. Ele era um dos líderes da facção em Valéria e era procurado pela polícia desde 2015, quando os mandados foram expedidos pela Justiça.

Pai de Robin, o aposentado Roberto Luiz do Rosário Lima contou que o foco dos familiares agora é encontrar as crianças. "Temos esperanças de encontrar elas vivas e não vamos descansar até lá. Amanhã (na terça) nós vamos voltar a Pedrão em busca delas. Essa agora é minha prioridade, porque meu filho já foi e não vai voltar", contou ao CORREIO, após o sepultamento dos corpos do filho e da nora, nesta segunda-feira (1), no cemitério Bosque da Paz.

O grupo de cerca de 50 pessoas é formado por familiares e amigos das vítimas. "Queremos o apoio da polícia, que nos acompanhem nas buscas. Vamos buscar em matas, casas na região e hospitais em cidades vizinhas. Só volto de lá com elas. Vou em busca das minhas netas vivas ou mortas", afirmou ele.

Quatro ônibus levaram familiares e amigos do casal para o cemitério. Após o sepultamento, eles deram uma salva de palmas em homenagem às vítimas e fizeram um protesto cobrando a localização das meninas. 

Investigação
A delegada Lélia Raimundi, titular da 2ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin) de Alagoinhas, contou que ainda não foram identificados suspeitos da autoria do crime. Ela também afirmou que a polícia ainda não sabe do paradeiro das crianças. "Ainda não temos nenhuma informação, apenas aquelas vindas das oitivas de familiares", disse. A delegada informou ainda que não há confirmação de que as crianças estavam no carro no momento do crime. 

O caso é investigado pela delegacia de Pedrão, que integra a zona de atuação da 2ª Coorpin. Os corpos de Danilo e Juliana foram encontrados no último sábado (29) pela polícia, enquanto o de Robin foi achado no domingo (30) pelos próprios familiares. Enquanto os dois primeiros estavam no veículo, o corpo do líder foi encontrado em uma mata próxima ao local. "Eu fui lá e achei meu filho. Agora vou para achar minhas netas", contou Roberto Luiz. 

Apesar de a polícia não confirmar se as crianças estavam no carro, Roberto acredita que as meninas estavam, sim, com os pais no momento do crime. "Se elas não estivessem com os pais, onde mais estariam? Eles estavam vindo para Salvador, não poderiam estar em outro lugar", disse. 

O aposentado contou que não sabia do envolvimento do filho com a facção. "O que eu sei é o que todo mundo sabe. Sabia que ele usava droga, mas nada além. Eu gosto de ir para a igreja e peço pela minha família e pela família dos outros", afirmou. 

A aposentada Tereza Pinheiro, 69, avó de Juliana, espera agora reencontrar as bisnetas. "Não vou ter sessego nessa vida enquanto não encontrar minhas meninas. Minha Juli (apelido da neta) não tenho mais, mas ainda tenho minhas bisnetas", contou, também após o sepultamento.

Ela lembra que no seu aniversário de 69 anos, em agosto passado, foi presenteada com uma caneca pela bisneta Luna. "Até pouco tempo eu ainda não tinha usado essa caneca, que eu guardava com muito carinho. Comecei a usar há pouco tempo. Espero poder mostrar o presente para Luna e perguntar 'lembra que você deu a vovó?'". 

Roberto Luiz conta que a região onde ocorreu o crime não tem bom sinal de telefone e internet, o que dificulta a procura por informações. "Talvez alguém tenha encontrado as meninas, mas não tem como entrar em contato com ninguém. Por isso vamos percorrer toda a região", diz.

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